Rural

Manejo de cordeiros é foco de atenção no RS

Foto de Marcos Pereira Rosa, extensionista Rural - EM Campos Borges
Apesar das baixas temperaturas, as condições de umidade do solo contribuíram para o desenvolvimento das pastagens de inverno, garantindo a oferta de alimentos em quantidade e qualidade para os rebanhos. No caso dos ovinos, os rebanhos mantidos em pastagens de inverno cultivadas apresentam boas condições corporais; já os mantidos em campo nativo apresentaram queda de peso, expondo condições de emagrecimento em matrizes, borregos e borregas da última temporada. De acordo com o Informativo Conjuntural, elaborado pela Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), e divulgado nesta quinta-feira (08/07), as matrizes ovinas em gestação estão recebendo vermífugos; porém, em diversos locais, principalmente nas criações laneiras, já ocorrem partos, e o foco do manejo são os cordeiros.

Na regional de Santa Rosa, a parição do rebanho já passa dos 60%, e o tempo seco e frio dos últimos dias tem favorecido o bom andamento desta etapa. Na de Pelotas, a maioria dos rebanhos está em período de parição, intensificando-se o nascimento dos cordeiros, com vários relatos de um maior número de partos gemelares. São poucos os relatos de mortes de cordeiros recém-nascidos. A ocorrência de geadas intensas, algumas chuvas frias e as baixas sensações térmicas demandaram atenção dos ovinocultores com a parição das ovelhas e com os cordeiros nascidos. Assim, as matrizes são mantidas próximas da casa e em locais abrigados, recebendo também suplementação alimentar com ração ou farelo de milho.

Na regional de Bagé, onde as condições meteorológicas foram extremamente rigorosas, o estresse térmico foi mais expressivo nas fêmeas em que se realizou o manejo de esquila pré-parto com remoção de maior quantidade de lã. Nesses casos, é importante a oferta de pastagens de boa qualidade e quantidade suficiente para atender a demanda nutricional elevada, a fim de contemplar a formação do cordeiro e a manutenção da temperatura corporal. As raças produtoras de carne estão no terço final da gestação e o preço médio do cordeiro para abate no Estado aumentou 3,67%, ficando em R$ 9,33/kg vivo.

A base da dieta dos rebanhos nesse período são as forrageiras de inverno, principalmente aveia e azevém, em pleno desenvolvimento e rebrote. Os produtores aguardam a redução da umidade para aplicar fertilizantes em cobertura nas áreas de pastagem. Conforme aumenta a oferta de pasto, realizam o ajuste da lotação para melhorar o aproveitamento das áreas. De acordo com a disponibilidade dos produtores, os animais conduzidos em campo nativo são suplementados com feno, pré-secado e sal mineral proteinado, essenciais para manutenção do estado corporal nesse período.

BOVINOCULTURA DE CORTE - A ampliação da oferta de alimentos volumosos com as forrageiras cultivadas de inverno aumentou o ganho de peso dos animais em terminação e tem contribuído para aumentar o escore corporal dos animais de cria e recria. Já os animais com acesso restrito ao campo nativo ou a pastagens de verão vêm perdendo condição corporal, devido à qualidade e quantidade do pasto ofertado. O frio intenso trouxe dificuldades para que os produtores acompanhassem os rebanhos a campo e realizassem os manejos. Em relação ao período reprodutivo, a temporada é marcada pela ocorrência de partos e cuidados com matrizes prenhes e com recém-nascidos. Com o carrapato bovino sob controle devido às baixas temperaturas, o foco do manejo sanitário tem sido o manejo preventivo contra endoparasitos e clostridioses. Aumenta a procura por novilhas para a próxima estação de monta.

BOVINOCULTURA DE LEITE - O desenvolvimento das pastagens de alta qualidade predominantes no período de frio – como aveias, azevéns e trigo – tem propiciado uma melhoria na qualidade nutricional da dieta das vacas, com consequente aumento do escore corporal e da produtividade de leite. Os produtores seguem com cuidados intensivos na higiene da ordenha, devido à alta umidade que aumenta a chance de contaminação do leite e de casos de mastites nos animais. Dessa forma, vêm conseguindo manter os padrões de qualidade exigidos pela indústria. Em relação ao período reprodutivo, o momento é de parição dos rebanhos.

CULTURAS DE INVERNO

Trigo - Segue o plantio, já concluído em 91% das lavouras. A área prevista para esta safra está em 1,12 milhões de hectares, com aumento da previsão de área na regional de Bagé, responsável por há 9,2% do total da área prevista para esta safra no Estado, onde estima-se que 80% das lavouras tenham sido semeadas. Com 23,1% da área de trigo no Estado, a região de Santa Rosa registrou o plantio de 96% da área prevista, a qual se encontra em germinação e desenvolvimento vegetativo. As lavouras semeadas no ciclo inicial do plantio recebem a primeira adubação nitrogenada em cobertura. Na maior parte das lavouras, o perfilhamento ainda não iniciou, o que deve ocorrer na próxima semana. No geral, as lavouras apresentam população de plantas muito boa, com boa germinação e bom aspecto sanitário.

Canola - Na regional de Santa Rosa, 47% das lavouras estão na fase de germinação e desenvolvimento vegetativo, 44% na fase de florescimento e 9% em enchimento de grão. As lavouras apresentam bom aspecto geral, boa população de plantas devido à boa germinação e boa sanidade, sem pragas e doenças. Em relação às lavouras em floração e enchimento de grãos nas áreas onde ocorreu geada, se percebem pequenas manchas de abortamento das flores e falhas na formação da síliqua, acarretando uma pequena redução de 0,5% na produtividade final.

Aveia branca grão - Na regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, a cultura segue com bom desenvolvimento e estado fitossanitário satisfatório. As baixas temperaturas e a formação de geada fraca não interferiram no crescimento das plantas. Em Tenente Portela, as primeiras lavouras plantadas já estão em início da formação de grãos. O preço médio praticado é de R$ 54,00/sc. de 60 quilos. Na de Frederico Westphalen, a cultura segue com bom desempenho, e 70% das lavouras se encontram em desenvolvimento vegetativo; 30%, em floração.

Cevada - Nas regionais de Frederico Westphalen e Soledade, as lavouras estão em desenvolvimento vegetativo normal. Na de Erechim, estima-se que o plantio esteja concluído; a cultura está em fase de germinação e em desenvolvimento vegetativo. Em Colorado, Saldanha Marinho e Santa Bárbara do Sul, municípios produtores de cevada na regional de Ijuí, áreas semeadas têm bom desenvolvimento. As primeiras lavouras se encontram em estádio de perfilhamento, e os produtores estão aplicando adubação nitrogenada em cobertura.

OLERÍCOLAS E FRUTÍCOLAS

Alho - Na regional da Emater/RS-Ascar de Passo Fundo, o plantio foi finalizado. As áreas encontram-se em fase de germinação. Já na de Caxias do Sul, a semana foi de condições muito boas para o avanço no plantio da safra: na região colonial, já se encaminha para conclusão; nas lavouras dos Campos de Cima da Serra, o plantio está no auge. A frequência de temperaturas baixas e luminosidade excelente favoreceram a germinação, emergência e o desenvolvimento inicial das plântulas do alho.

Cebola – Na região de Pelotas, as áreas de cultivo permanecem com boa umidade no solo, favorecendo o plantio e permitindo acelerar o transplante das mudas de cebola, com boa qualidade preservada. Em julho, segue o transplante das cultivares de ciclo médio e as tardias.

Citros - No Vale do Rio Caí, na regional da Emater/RS-Ascar de Lajeado, as atividades dos citricultores nos últimos dias de junho e os primeiros de julho voltaram-se à colheita de diversas variedades. As bergamotas em colheita são Caí, Ponkan e Pareci; as laranjas, Céu precoce e de umbigo Bahia, variedades de mesa, Seleta e Shamouti, utilizadas para sucos ou mesa e, em alguns municípios, também a variedade Valência. A lima ácida Tahiti continua em plena colheita. Não há relatos de doenças e pragas causando danos significativos em pomares com tratamentos adequados. O frio tem proporcionado frutos com cores intensas e com boa concentração de açúcares. Tais condições associadas às chuvas moderadas têm proporcionado grande qualidade das frutas. A menor incidência de doenças também favorece a qualidade externa e interna.

Erva-mate - Na regional da Emater/RS-Ascar de Erechim, segue o plantio de novas áreas, favorecido pela umidade do solo e por chuvas mais intensas. Continua grande a procura por mudas de erva-mate. Na região de Soledade, produtores dão continuidade aos plantios e replantios de erva-mate. Em Venâncio Aires, a Capital do Chimarrão, uma política pública municipal subsidia 50% do valor das mudas, subsídio limitado a mil mudas por produtor. Nos ervais, as plantas de cobertura – aveia, nabo e ervilhaca – têm crescimento satisfatório. Aumenta a procura de matéria-prima pelas empresas beneficiadoras; consequentemente, os produtores aceleram a colheita. O plantio de mudas e o replantio em áreas que sofreram com a estiagem foram realizados em aproximadamente 50% dos ervais da regional de Lajeado, onde são cultivados cerca de 14 mil hectares com a cultura, de grande importância econômica e social em cinco municípios – Arvorezinha, Ilópolis, Anta Gorda, Putinga e Doutor Ricardo, favorecendo inclusive a permanência de muitos jovens no campo. O parque industrial conta com 60 indústrias ervateiras que processam a produção regional, gerando muitos empregos e viabilizando o cultivo.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar

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