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Estudo diz que variante P1 'escapa' de anticorpos e pode causar reinfecção

vacinação completa pode eliminar sua disseminação

Um estudo coordenado pela Fiocruz Pernambuco mostra que quem já teve covid-19 e adquiriu anticorpos pode ser atingido pela variante P1. Isso pode aumentar os casos de reinfecção no Brasil. Mas, de acordo com a pesquisa, há uma saída: a aceleração da vacinação.

Isso porque a variante não consegue fugir das vacinas em uso no Brasil. A segunda onda da pandemia foi puxada, sobretudo em seu início, pela variante P2, agora chamada de zeta. Mas essa variante, originada no estado do Rio de Janeiro e que rapidamente se espalhou pelo Brasil entre o fim de 2020 e o início de 2021, não consegue se livrar do ataque dos anticorpos gerados por infecção anterior pelo Sars-CoV-2, de acordo com o novo estudo.

A variante P1 do coronavírus, foi rebatizada de gamma pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Já a gamma, identificada pela primeira vez em Manaus em novembro de 2020, se propagou com mais intensidade em 2021, provocou muitos casos e agora já é majoritária no Brasil.  

— Embora a gamma seja muito importante na segunda onda, se tivermos uma terceira onda ela será absoluta. Isso significa maior probabilidade de reinfecções e de novos casos, pois ela é mais transmissível, gera enorme carga viral. O predomínio da gamma agora é uma diferença muito importante — afirma o coordenador do estudo e pesquisador da Fiocruz Pernambuco, Roberto Lins.

Igualmente preocupante são as evidências de que a gamma está em processo de transformação e adquiriu alterações que podem torna-la mais resistente ao ataque de anticorpos, destaca Lins.

Essas novas mutações são deleções no genoma do coronavírus. Ele perde partes de sua proteína S que são reconhecidas pelos anticorpos. Com isso, fica “invisível” para os anticorpos que são produzidos pelo sistema imunológico justamente para atacar essas regiões do vírus. 

Lins explica que as vacinas, por ora, continuam eficientes porque elas promovem uma reação de defesa mais homogênea e efetiva do que a natural. As defesas naturais dependem da carga viral recebida e de características individuais do sistema imunológico.  

Uma pessoa adoece com gravidade com Covid-19 porque tem alguma vulnerabilidade individual. Ao sobreviver, ela, em tese, construiu defesas. Mas, se o vírus mudar demais, essas defesas podem não ser suficientes, diz Lins.  

— Se não reduzirmos a circulação do coronavírus, a gamma pode mudar tanto que teremos outra variante. Não há como saber quem é ou não suscetível. Precisamos proteger a todos — observa ele.

*com informações de O Globo 

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