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CPI Covid: médicos condenam estudos fraudulentos e relator abandona plenário

A CPI da pandemia recebeu, nesta sexta-feira, 18, os médicos Francisco Cardoso Alves e Ricardo Ariel Zimerman. Ambos tiveram o requerimento de comparecimento proposto pelo senador Luis Carlos Heinze (PP/RS). Foto: Waldemir Bareto/Agência Senado

A CPI da pandemia recebeu, nesta sexta-feira, 18, os médicos Francisco Cardoso Alves e Ricardo Ariel Zimerman. Ambos tiveram o requerimento de comparecimento proposto pelo senador Luis Carlos Heinze (PP/RS).

Os profissionais alertaram que a prescrição e a indicação de remédios são de autonomia médica e que a prescrição por pessoas leigas é irregular e ilegal. Francisco Alves ainda destacou a competência do Conselho Federal de Medicina – CFM – para definir se uma medicação, tratamento ou procedimento podem ser feitos como prática experimental.

Durante os pronunciamentos, eles confirmaram os alertas de Heinze nas reuniões das últimas semanas. Inqueridos pelo parlamentar, os médicos falaram sobre os dois estudos, com indícios de fraude – um realizado pela Universidade de Harward/EUA e outro na cidade de Manaus – para avaliar os efeitos da cloroquina e do seu derivado hidroxicoloroquina.

Pesquisas Fraudulentas: Segundo eles, interesses da indústria farmacêutica estariam por trás das pesquisas que influenciaram a Organização Mundial da Saúde – OMS – a emitir parecer, em dezembro do ano passado, contra o uso do medicamento no tratamento de pessoas infectadas com a Covid-19.

“Chamou a atenção a quantidade de cloroquina empregada nos pacientes do grupo da dose alta, 12g em dez dias. Quando nós vamos nos referir ao artigo – e tudo que eu estou falando aqui está no artigo, não é invenção minha, não é ilação – eles falam que copiaram ou se inspiraram num estudo chinês, que usou 500mg de fosfato de cloroquina duas vezes ao dia, durante dez dias. Só que o comprimido brasileiro é de 150mg”, detalhou o médico Francisco Alves, apontando o erro da pesquisa. Na prática, o estudo de Manaus deu o dobro da dose do estudo chinês para pacientes graves.

Zimmerman lembrou que a alta dosagem de cloroquina pode causar mortes e que, nas pesquisas, esta observação não foi respeitada. “A partir desses estudos a Organização Mundial de Saúde condenou a cloroquina. Um medicamento barato e que nós conhecemos muito bem aqui no Brasil. De fato, os dados de toxicidade de cloroquina e de hidroxicloroquina se concentram nesse trabalho e num outro que é pior, porque é totalmente falso, que é o Surgisphere, que passou no peer review, com mais de 94 mil pacientes que não existiam. E, depois disso, houve suspensão de estudos com a hidroxicloroquina, e é por isso que a gente vai ter que saber, tem que se posicionar agora, ou não vai ter mais informações novas para se posicionar. Não temos grandes estudos em andamento, em virtude da má ciência. Condenaram o fármaco que não tinha ninguém para torcer por ele, porque não leva ninguém para Cancún no final do ano, por exemplo”, ironizou o infectologista.

Heinze em uma de suas intervenções fez questão de destacar que o tratamento precoce é uma das possibilidades que ele defende na luta para salvar vidas. “Quero parabenizar aos médicos brasileiros que estão lutando pela saúde do nosso povo. O uso de medicamentos como pré-tratamento tem salvado milhares de brasileiros desde o começo da pandemia. Muita gente ainda não tem acesso as vacinas e precisa recorrer aos fármacos prescritos. A ciência não está ligada às questões políticas”, enfatizou.

Relatório pré-concebido: Após o pronunciamento inicial dos médicos convidados, quando habitualmente o senador Renan Calheiros (MDB-AL) inicia os seus questionamentos, o parlamentar se recusou a realizar perguntas aos médicos e se retirou do plenário. “Nós chegaremos sábado provavelmente a meio milhão de mortes pela covid-19 no Brasil e continuamos a ouvir esse tipo de irresponsabilidade”, criticou o relator.

A recusa do senador alagoano causou revolta aos demais parlamentares presentes. Heinze lembrou que nas outras reuniões, quando especialistas contrários ao tratamento precoce foram ouvidos, o relator usou o seu tempo e estimulou o debate. “Temos aqui uma prova de autoritarismo e uma fuga à exposição de ideias. O Senado Federal é uma Casa de estímulo às grandes discussões do país. Não é isso que vemos aqui hoje. Considero, um desrespeito com a ciência e com os convidados. Se alguém tinha dúvidas, o relatório já está pronto e com objetivos bem definidos”, falou o senador, se referindo a politização da comissão.

Sobre Didier Raoult: Heinze abriu sua participação fazendo o contraponto a fala do senador Otto Alencar (PSD-BA) que registrou a operação de busca e apreensão da polícia francesa no laboratório do cientista Didier Raoult, notório defensor da cloroquina no tratamento da Covid.

“Não se trata de condenação. São questões de 2019 do hospital em que Didier Raoult é apenas um dos diretores e não presidente”, comentou Heinze que, na sequência, leu trechos de reportagem do jornal France Bleu Provence:

O Ministério Público de Marselha confirmou que uma investigação preliminar foi iniciada a partir da publicação de um relatório da agência anticorrupção francesa em 2019, visando o instituto de pesquisa para o desenvolvimento IRD – um estabelecimento público científico e tecnológico. A investigação incide sobre as ligações financeiras entre este IRD e a instituição Instituto Hospital Universitário de Marselha, mas também sobre o funcionamento interno do IRD na utilização de fundos públicos para despesas não relacionadas com as missões do IRD ou missões injustificadas”, diz o texto da publicação.

A partir da leitura, o senador gaúcho conclui que “Didier Raoult não tem nada a ver com isso. Este pesquisador é membro da diretoria do hospital, atuando no seu corpo técnico e não financeiro. E tampouco as pesquisas de eficácia de medicamentos estudados por esta renomada instituição são alvo destas buscas” completou Heinze.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Senador Heinze 

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