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Polícia realiza operação contra organização criminosa que desviava/furtava cargas de grãos

Grupo criminoso atuava em toda região sul e lesou cooperativas e empresas de São Luiz Gonzaga e de todo o Brasil. 9 pessoas foram presas e recuperadas 39 toneladas de arroz

Fotos: Polícia Civil / 27ª DPRI / Divulgação
Nesta terça-feira (28/07), a DRACO de São Luiz Gonzaga deflagrou uma operação policial que teve como objetivo desbaratar uma organização criminosa que atua há mais de cinco anos na região Sul do Brasil no desvio/furto de cargas de grãos. As investigações, realizadas em conjunto com a DP de São Miguel das Missões, apuraram que o grupo criminoso investia dinheiro na compra de veículos, caminhões e imóveis na região de Ijuí e Cruz Alta. 

A organização criminosa, baseada na cidade de Cruz Alta e Ijuí, já causou prejuízos que superam os bilhões de reais, segundo estimativas extraoficiais da empresa APISUL – Reguladora de Sinistros Ltda. Cooperativas agrícolas e pequenos silos estão entre as principais vítimas. 


Devido ao montante dos prejuízos já causados, a atuação de tal organização criminosa já  causou severos danos à economia fiscal, ao setor produtivo privado e à ordem pública.

Foto: Polícia Civil / 27ª DPRI / Divulgação
A ação policial desencadeada nesta terça-feira iniciou-se no domingo passado, com o monitoramento dos investigados enquanto preparavam o caminhão que seria usado no desvio de uma carga de arroz. Durante o dia de segunda, o caminhão foi monitorado indo a Pelotas, onde entrou numa empresa e foi carregado com uma carga de 39 toneladas de arroz, que deveria ser entregue no Estado do Maranhão. Logo no início do trajeto, a carreta alterou a rota e rumou no sentido de Cruz Alta, uma das bases do grupo criminoso. Na madrugada desta terça-feira, em uma ação policial conjunta da DRACO de São Luiz Gonzaga com a 1° Batalhão Rodoviário da BM, PRF e Brigada Militar, flagrou-se os criminosos no momento exato em que chegaram com a carga de grãos (arroz) em Cruz Alta, onde seria descarregada e vendida com notas frias. No momento em que os criminosos começaram a descarregar a carga de grãos, foram surpreendidos por equipes da Polícia Civil, BM, 1° Batalhão Rodoviário da BM e PRF. 


MODUS OPERANDI. O modus operandi do grupo criminoso pode ser assim resumido: Os líderes do empreendimento criminoso usam pessoas físicas (“laranjas”) para registro dos caminhões e empresas de fachada/“laranjas” para obter as notas de frete (documento que autoriza a retirada de cargas nas empresas) e contratam um motorista com “nome limpo” (o motorista não pode ter registros desabonatórios, caso contrário, a empresa e a  seguradora indeferem a retirada), a quem entregam a tal nota de frete e um caminhão, que também registram previamente em nome de “laranjas” (eles também usam caminhões “clonados”). Depois disso, o motorista retira a carga e sai na direção do destino, conforme registrado na nota de frete. 

Foto: Polícia Civil / 27ª DPRI / Divulgação
Em dado ponto do trajeto, integrantes da quadrilha indicam onde o motorista deve descarregar a carga ou deixar a carreta carregada. A organização criminosa prefere sempre cargas com destino distante, pois nos dias em que a carga supostamente estaria na estrada (uma carga de arroz que é levada a São Paulo demora em torno de 3 a 5 dias para chegar) eles conseguem desviar, com o mesmo motorista, outras três ou quatro cargas em cooperativas e empresas diferentes. Muitas cargas acabam transportadas até Cruz Alta/RS, diferentemente do que determinam as notas de frete, onde acabam sendo deixadas no pátio fechado de uma empresa de guincho, de propriedade de um dos integrantes da organização (detalhe que esse integrante da organização trabalha na remoção de veículos ara seguradoras veiculares). No pátio dessa empresa de guincho é que as carretas carregadas com grãos são descarregadas ou as carretas são desengatadas do “cavalinho” (caminhãotrator) que “puxou” a carreta e acopladas a outro “cavalinho”. Os criminosos invariavelmente trocam as placas da carreta (colocam placas clonadas, de outra carreta) e a carga então é levada ao novo destino, para um comprador. Um dos criminosos ainda é o responsável pela emissão de notas para “esquentar” as cargas, ou seja, documentos que mascaram a origem criminosa do produto desviado. Esse criminoso ainda possui “laranjas” com  propriedade rural perto de Cruz Alta e Ijuí, sendo que consegue facilmente emitir notas de produtor ou documentos similares, como se a carga tivesse sido por eles produzida. 
Foto: Polícia Civil / 27ª DPRI / Divulgação
As cargas de arroz invariavelmente são levadas para uma empresa localizada próximo da região metropolitana, sendo entregues numa empresa especializada em comercialização de arroz. 

O grupo criminoso possui vários integrantes. Possuem vários caminhões registrados em nome de “laranjas”, havendo grande alternância de motoristas.


A carga desviada e recuperada na operação policial desta terça-feira foi avaliada em R$120.000,00 e devolvida para a empresa vítima do golpe. 


As investigações prosseguem na DRACO de São Luiz Gonzaga com o objetivo de identificar e prender todos os demais integrantes da organização criminosa. 

Foto: Polícia Civil / 27ª DPRI / Divulgação
Durante a operação, ainda foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Cruz Alta e Ijuí/RS, em empresas e casas de suspeitos de integrarem a organização criminosa. 

As investigações ainda pretendem identificar o patrimônio auferido pelo grupo criminoso, para que as cooperativas, pequenos silos e empresas lesadas sejam ressarcidas. 


Os nove presos foram autuadas pelos crimes de furto qualificado mediante fraude e organização criminosa e encaminhados ao Presídio de Cruz Alta.

Foto: Polícia Civil / 27ª DPRI / Divulgação
Foto: Polícia Civil / 27ª DPRI / Divulgação



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