Polícia

Prefeitura cai em golpe de hacker e perde R$ 230 mil

Prefeitura de Mormaço estima desvios de R$ 233 mil — Foto: Reprodução / RBS TV

A Polícia Civil investiga saques e transferências irregulares da conta da Prefeitura de Mormaço, no Norte do estado, realizados nos últimos dias sem autorização da administração municipal. A suspeita é que hackers teriam acessado o sistema e feito as operações que desfalcaram a cidade em cerca de R$ 233 mil.

Segundo o Secretário da Fazenda, Alexandre Vieira, foram feitos vários saques e pagamentos de boletos de altos valores sem autorização. Ele conta que, na quarta-feira (27), recebeu uma ligação de uma mulher que se apresentou como funcionária do Banco do Brasil.

Ela teria questionado se a prefeitura havia feito uma atualização no sistema bancário e sugeriu a alteração, pois, segundo ela, a forma de acesso seria modificada no dia 1º de dezembro.

Orientado pela falsa servidora, o secretário entrou no site do banco e realizou todas as mudanças sugeridas por ela sem desconfiar que poderia ser vítima de um golpe.

"O que ela propôs estava lá. Não foi solicitada nem fornecida nenhuma senha. Eles já tinham a chave, e foi feito tudo dentro do sistema do BB. Algo meio corriqueiro, até. A gente atualiza um monte de coisas. Isso foi desencadeando um monte de acessos", comenta Alexandre.

Na manhã seguinte, por volta das 7h, o secretário foi informado por um colega que havia um boleto emitido irregularmente pela prefeitura para uma empresa de Brasília no valor de R$ 49,7 mil. Ao verificar os extratos, encontraram outras irregularidades.

'Menor transferência foi de R$ 16 mil', lamenta prefeito
Mesmo tentando bloquear as contas, as transferências e pagamentos indevidos só cessaram após a intervenção do banco. Mas, a esta altura, o desfalque já chegava a R$ 233 mil, de acordo com estimativa da prefeitura.

"Começamos a rastrear todas as contas. Fomos bloqueando tudo e, enquanto bloqueávamos umas, eles desbloqueavam outras. Fomos ao banco e, no trajeto, já haviam feito mais uma transferência. Só lá que foi bloqueado tudo, e aí cessou."

O prefeito Rodrigo Trindade assegura que todas as senhas das contas da prefeitura foram alteradas preventivamente. Contudo, desconfia que o sistema do Banco do Brasil também tenha sido alvo dos hackers.

"A gente acredita que foi invadido nosso sistema, que foi hackeado, mas do banco também. A partir de R$ 3 mil tem que ter a assinatura em papel. Eles passaram por cima. A menor transferência foi de R$ 16 mil", relata.

"Tenho 27 anos de prefeitura e nunca tinha passado por uma situação dessas. Tenho amplo conhecimento do sistema, mas foi uma coisa muito bem elaborada. Uma profissional que estava por dentro, que já tinha trabalhado com isso. Uma pessoa bem informada", supõe Alexandre.

O crime está sendo investigado pelo Departamento Especializado em Crimes de Internet da Polícia Civil e pela delegacia de Soledade. De acordo com o delegado Márcio Marodin, a polícia já tem informações sobre para onde foram os valores. O objetivo, agora, é identificar quem fez as transferências e pagamentos irregulares.

"Valores altos, principalmente quando a gente leva em conta que é em um município pequeno. É dinheiro público que vai fazer falta", afirma o delegado.

"A gente vem desde o meio do ano em turno único reduzido para fazer corte de gastos, começar o ano com um caixa a mais e fazer investimentos em vários setores. Vai fazer uma grande diferença", acrescenta o prefeito.

Trindade afirma que o déficit inesperado não alterou a quitação da folha de pagamento nesta sexta-feira (29). Segundo ele, os depósitos aos servidores municipais foram realizados. Porém, prevê um problema nas obras em andamento na cidade, como a aquisição de tubulação para serviços de saneamento e reformas em praças e escolas.

"São coisas que vamos ter que dar uma segurada para ver o que vai acontecer. Vai fazer muita falta para nós."

O delegado Marodin alerta, ainda, todos os funcionários de instituições públicas e até mesmo a população para que não façam nenhuma movimentação nas contas ou sistemas bancários por meio de ligações telefônicas.

"Desconfiem sempre. Normalmente [as atualizações] não precisam ser feitas por alguém que liga. São automáticas. A pessoa verifica e clica para atualizar o aplicativo e o sistema."

Fonte: G1 RS 

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