Polícia

Mais dois réus são julgados por assassinato de mulher em São Borja

Sônia foi morta em 2015 em São Borja — Foto: Reprodução/RBS TV

Nesta terça-feira (10), mais dois réus estão sendo julgados pela morte de Sônia Hussein Khaled, de 44 anos, em São Borja. Tiago Vargas Motta e Bruno Silveira Aires são acusados de terem participado do crime em 2015.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Bruno e Tiago renderam Sônia e a levaram até a Rua Coronel Tristão de Araújo Nóbrega, local onde foi executada. Bruno foi o autor dos disparos (quatro ao total) e das duas facadas dadas pelas costas, que resultaram na morte da mulher.

O marido da vítima, Husen Kassen Khaled, foi condenado, em julho deste ano, a 30 anos de prisão. Conforme a acusação, ele simulou um assalto e planejou o assassinato da mulher. A defesa dele informou, na época, que iria recorrer da sentença.

Além dele, foram condenados também Maurício Mariano e Valdemir Trindade Rodrigues. De acordo com o MP, Maurício ajudou Husen nos detalhes do planejamento do crime e recrutou os cúmplices.

Ele também recebeu como sentença 30 anos de prisão e deve pagar R$ 200 mil a cada um dos três filhos da vítima. O advogado Adão Nogueira, que representou ele no júri, disse, na época, que planejava recorrer da condenação, mas que ainda iria se reunir com familiares do réu para tomar uma decisão final.

Já Valdemir emprestou sua motocicleta para um dos réus resgatar Tiago após o crime. Segundo o MP, ele conduziu Maurício até o ginásio onde foram acertados os detalhes com Husen, momentos antes do crime. A mando de Husen e de Maurício, contatou Tiago para participar do crime.

Valdemir foi condenado a 24 anos, e foi determinado que ele deve pagar uma indenização de R$ 80 mil às vítimas. A advogada Josiane Balbe afirmou que achou injusta a sentença. "Ele não merecia isso. A conduta dele não foi para matar ninguém. Ele não é assassino."

Restam dois acusados, que serão julgados em data ainda não definida pelo Judiciário.
Pessoas estão reunidas em frente ao forum com cartazes pedindo justiça — Foto: Alfredo Pereira/RBS TV

Como foi o crime

Segundo a denúncia do Ministério Público, Husen ofereceu dinheiro aos demais réus para que matassem a mulher. O crime ocorreu no dia 6 de novembro de 2015. O marido buscou Tiago e Bruno de carro e os levou para a casa da vítima.

No local, Husen abriu o portão para a dupla, que rendeu e amarrou Sônia. Ele também foi amarrado, para simular um assalto.

A mulher foi colocada no banco de trás do carro de Husen e levada até a Rua Coronel Tristão de Araújo Nóbrega, onde foi executada.

Em seu depoimento, Tiago, que aceitou delação premiada, declarou que Husen ofereceu R$ 50 mil a Bruno para que confirmasse que se tratava de latrocínio.

Disse que foi procurado por Jean e Valdemir para participar do crime. Ele confirmou ainda que Husen foi o mandante e que eles deveriam simular um assalto em que o comerciante também figurasse como vítima. Maurício era a pessoa que sabia de todos os detalhes do plano.

Antes do fato, Valdemir, Jean, Maurício, José e Tiago se reuniram na oficina de Jean para detalhar o plano. De acordo com Tiago, inicialmente, a ordem era apenas "dar um susto" na vítima, mas que, na última hora, Husen determinou que matassem a esposa. Jean e Valdemir teriam discordado. Bruno, então, se ofereceu para cometer o crime.

Na época, moradores de São Borja fizeram um protesto pedindo justiça. Familiares da empresária promoveram uma caminhada pelas ruas do município.

Qualificadoras
Os réus respondem por homicídio qualificado. As qualificadoras são:


  • Motivo torpe - Husen agiu impelido por interesses econômicos e financeiros, mediante promessa de recompensa para os outros seis acusados.


  • Meio cruel - foram efetuados diversos disparos de arma de fogo, inclusive pelas costas, e golpes de arma branca na vítima, que se encontrava com as mãos atadas e no chão.
  • Recurso que dificultou a defesa da vítima - a vítima Sônia foi abordada, de inopino, dentro de sua própria casa, no momento em que se encontrava orando. Além disso, foi alvejada, inicialmente, pelas costas e, após, no chão, com as mãos atadas e completamente indefesa.

Husen ainda responde por:

  • Crime foi cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (feminicídio) - acusado praticava, constantemente, agressões físicas e psicológicas contra a vítima, sempre com objetivo de menosprezá-la e subjugá-la a suas arbitrárias pretensões.


Fonte: G1 RS

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