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'Dói, dilacera, destrói um pai, um socorrista', escreve bombeiro que atendeu acidente que matou família na BR-386

Foto: Vinicius Coimbra/ Diário da Manhã

O socorrista Patrick Dipp da Silva, que foi um dos bombeiros que atendeu a ocorrência com seis mortes da mesma família, que aconteceu na madrugada de sexta-feira (30), na BR-386, em Soledade, escreveu um relato nas redes sociais, expressando o que sentiu após o atendimento.

"Pensar no meu pequeno VHS [filho] enquanto atendo é inevitável, claro, sempre com o profissionalismo intrínseco de todo Bombeiro Militar. Dói, dilacera, destrói um pai, um socorrista, um bombeiro. O que fica é a vontade de chegar em casa e te abraçar, amar intensamente, meu filho", diz Patrick na publicação.

Em entrevista, o socorrista contou que a guarnição foi acionada por volta das 4h15. Quando chegaram ao local, se depararam com uma situação complicada.

"Dois carros praticamente destruídos, uma família inteira dentro de um veículo, e o condutor no outro veículo. E também uma criança, o único sobrevivente no momento, do veículo que estava a família. Uma criança de 6 anos, o que acabou mexendo bastante com a nossa guarnição. Felizmente, a gente conseguiu resgatar ele com vida. Mas, infelizmente, ele chegou no hospital em óbito", conta.

O socorrista relatou que tem um filho de 4 anos. Ele acrescentou que manteve o profissionalismo no momento da ocorrência, mas, depois, refletiu sobre o que ocorreu.

"A gente acaba sendo profissional naquele momento, e após, a gente vai pensar aí no que realmente aconteceu, o que pode ter gerado aquele acidente, e o que aquelas pessoas podem ter sofrido, seus familiares, e as demais pessoas que presenciaram a cena. Pelo fato daquilo ter ocorrido com uma criança, e eu ser pai, há 4 anos e oito meses, do meu pequeno Vitor Hugo, acredito que ontem a mensagem final, apesar ter um alerta quanto ao trânsito, também teve um alerta quanto a família".

"Hoje, a gente está muito ligado sempre atrás da máquina, e a gente acaba achando que nossos filhos precisam sempre de bens materiais, eu falo por mim, e acredito que falo por muita gente também, a gente acaba enchendo nossos filhos de coisas supérfluas, e o amor e o carinho que a gente pode dar para eles, a gente acaba, as vezes, deixando passar", acrescenta.

O bombeiro contou que recebeu informações de que a família que morreu estava indo para um casamento no Paraná. "Para viver um momento feliz e acaba acontecendo uma tragédia".

O acidente

Segundo a Polícia Civil, entre os mortos estão o condutor do Peugeot 207, Everton da Silva Geraldi, de 36 anos, a esposa dele, Jaqueline Amaral Geraldi, de 39 anos, o filho do casal, Lorenzo Geraldi, de 6 anos, o pai e a mãe do motorista, Ivanir Geraldi, 61 anos, e Ana Lúcia da Silva, 55 anos, respectivamente, e ainda o tio do condutor, Juarez Geraldi, de 47 anos.

Eles eram moradores de Canoas. A PRF informou que todos os ocupantes do banco de trás do veículo estavam sem cinto de segurança, incluindo a criança, que não estava na cadeirinha.

O motorista do outro veículo estava sem cinto de segurança e foi arremessado para fora do carro.

Ele foi levado para o Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, em estado grave, passou por uma cirurgia e está na ala de recuperação. No entanto, segundo informa o hospital, ele está fora de perigo e deve ir para o quarto entre a noite de sexta e a manhã deste sábado. Segundo a PRF, ele é de Soledade e tem 34 anos.

A colisão aconteceu no quilômetro 236 da rodovia, por volta das 4h. O carro da família, um Peugeot 207, com placas de Porto Alegre, trafegava no sentido Capital-Interior quando teria invadido a pista contrária. O veículo bateu de frente com um Volvo, com placas de Bento Gonçalves, na Serra.

A pista ficou bloqueada por cerca de cinco horas, e foi liberada por volta das 9h30.


Fonte: G1 RS

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