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Polícia busca câmeras de segurança para analisar caso de delegado que matou cão com tiro em São Luiz Gonzaga

Cachorro foi morto com tiro em São Luiz Gonzaga — Foto: Katyusse Gabert/Arquivo pessoal

A Polícia Civil deu início à investigação sobre o caso em que um delegado matou um cachorro com tiro na rua, em São Luiz Gonzaga, no último sábado (22). Agentes buscam câmeras de segurança que possam ter registrado o que aconteceu. Até o momento, o delegado José Renato de Oliveira Moura tem a versão do policial que disparou e da dona do animal.

"Não temos testemunhas", acrescenta. O delegado diz que o inquérito já foi instaurado. Ele vai analisar se houve "crime de crueldade contra animais", no caso do delegado que atirou, ou "crime de descuido na guarda de animal perigoso", no caso da dona do cão.

"A casa de onde o cachorro saiu tem um murinho bem baixo, uma grade de metal, na verdade, que não deve ter um metro de altura. E o local onde o Afonso [Stangherlin] atirou no animal fica atravessando a rua, em diagonal. Ele [cachorro] deve ter caminhado ou corrido uns 50 metros, foi bem perto", completa.

Depois de anexar provas ao inquérito, o delegado vai enviar o documento para o juizado especial criminal já que, como ele explica, trata-se de crimes com pena baixa. "Por descuido na guarda são 10 dias, e crueldade três meses, com aumento de um sexto se ocorrer morte, que ocorreu."

O juizado deverá agendar audiências de conciliação entre as partes.
Foto: Arquivo Pessoal

O G1 conversou com a dona do animal e também com o delegado Afonso, ainda no sábado.

Luciane Gabert registrou boletim de ocorrência na delegacia, relatando que havia entrado em casa para pegar um mate e seu labrador, que tinha o nome de Marley, ficou no pátio. Depois que ouviu o barulho de tiro, saiu e encontrou o cão morto.

O cachorro, segundo informou ela, tinha 15 anos e problemas na coluna. "Ele era extremamente dócil, um brincalhão, nunca atacou ninguém", afirma a filha de Luciane, Katyusse Gabert.

Mãe e filha não acreditam que Marley poderia atacar alguém.

Stangherlin também deu sua versão para o caso na delegacia. Ele disse que estava com o cachorro de porte pequeno de sua filha, que está sob os cuidados dele por um período, quando viu um outro cão correndo em sua direção.

"O cachorro que estava comigo estava apavorado. Quando eu percebi que ele estava perto, dei um tiro", relata. Depois, diz que foi até a casa da dona do labrador. "Atravessei a rua, chamei a proprietária, me identifiquei e disse que o animal iria me atacar e não tinha o que fazer."

"No momento do disparo, não sabíamos que ele era delegado. Após a minha mãe indagar sobre o fato, ele disse para retirar o cachorro da calçada, que ele era delegado e que era para tomarmos nossas providências e que ele providenciaria as dele", lembra Katyusse.

O delegado acrescentou que tem 20 anos de profissão. "Não maltrato animais. Não tenho histórico de ficar dando tiro na rua."

"Na versão das proprietárias, o cachorro é manso. Se pegasse na minha perna, certamente teria que amputar (...) Se me pegava, me estraçalhava", completa.

Apesar de serem vizinhos, as donas de Marley e o delegado não tinham contato.

G1 RS

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