Polícia

Preso, padrasto admite que bateu na cabeça da criança

Jonatas Gomes de Melo, de 32 anos, estava foragido e foi encontrado pela Brigada no fim da noite dessa quinta em Santa Cruz

Foto: Ricardo Düren/Portal GAZ
Foi preso na noite desta quinta-feira (6), às 22h20  pela Brigada Militar, Jonatas Gomes de Melo, de 32 anos, em Santa Cruz do Sul, sua cidade natal, Padrasto do pequeno Enzo Gabriel Quintana Dilenburg. Foi uma denúncia anônima que levou a Brigada Militar até uma casa situada na Rua Santiago, no Loteamento Beckenkamp, onde o procurado foi preso ainda usando calças sujas – o que sugere que esteve fugindo por matos.

Uma combinação de cocaína, bebida alcoólica e medicamento contra ansiedade teria sido a fórmula que levou, a espancar o enteado de 2 anos até a morte, na madrugada de quarta-feira em Encruzilhada do Sul. Pelo menos é o que ele alega. 

O suspeito estava desaparecido desde a madrugada do crime, na quarta-feira. Durante a tarde de ontem, a delegada Raquel Schneider revelou que já havia um mandado de prisão decretado contra Jonatas. Ao ver a chegada dos PMs na casa onde estava escondido, o acusado saiu sem reagir e se entregou. “Possivelmente ele já imaginava que não tardaria a ser preso”, avaliou o comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Giovani Paim Moresco. Conforme Moresco, a BM já suspeitava de que o foragido estaria em Santa Cruz e as guarnições permaneciam atentas à possibilidade de topar com ele. “Porém, nós o encontramos após denúncias. Foi um crime bárbaro, que revoltou a comunidade, o que levou as pessoas a colaborarem conosco.”

Após os exames de praxe no hospital, Jonatas Gomes de Melo foi levado até a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), para o depoimento. Conforme a delegada Raquel Schneider, ele admitiu as agressões, mas disse que não lembrava direito o que havia acontecido, tampouco soube dizer o motivo. “Ele afirmou que, na ocasião, já havia consumido álcool, cocaína e Rivotril. Disse que bateu na cabeça do enteado com as mãos, sem saber por que, alegando apenas que não queria matar a criança. Ainda investigamos se o acusado não usou algum instrumento no crime”, revelou a delegada.

Ainda segundo Raquel Schneider, ele disse que lembrava de ter acordado às 2 horas da madrugada de quarta. Nesse momento, as agressões teriam ocorrido. Na conversa com a polícia, Melo afirmou que o pequeno Enzo sequer chorou. Depois da violência, Melo voltou a dormir e acordou novamente às 5 horas para ir ao banheiro. Ao voltar para o quarto do casal, percebeu que Enzo, que estava em um berço, no mesmo cômodo, já tinha “o corpo frio”. Então, o padrasto teria acordado a mulher e fugido.

O acusado também negou ter agredido a vítima anteriormente. O depoimento do preso se estendeu pela madrugada desta sexta-feira. Depois, ele foi levado ao Presídio Regional de Santa Cruz.

Horas antes da captura de Melo, a mãe de Enzo, de 30 anos, foi ouvida novamente pela polícia. Segundo a delegada Raquel, ela manteve a versão inicial, contada quarta-feira, de que teria encontrado o menino desacordado no berço, pela manhã. A mulher também revelou novos detalhes sobre a relação do padrasto com a criança. “Ela contou que ele teria batido no menino uma vez, e que ela teria se colocado na frente do padrasto, apanhando também. Nessa ocasião, a mãe teria chegado a sair de casa, mas acabou retornando depois”, detalhou.

Ainda conforme a delegada, o Conselho Tutelar do município informou que esteve na residência da família há cerca de 30 dias, mas não encontrou nenhuma anormalidade. Um relatório completo sobre a visita deve ser entregue pelo órgão ainda hoje à equipe que investiga o caso. Até o momento, a polícia não tem nenhuma confirmação de que o irmão mais velho de Enzo também tenha sido agredido.

O menino, de 6 anos, deve ser ouvido nos próximos dias. Para ter validade legal, o depoimento será colhido com uma psicóloga. “Estamos procurando  uma especialista que possa ouvi-lo. Se não encontramos em Encruzilhada, vamos buscar fora”, afirmou Raquel.

Fonte: Portal GAZ

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