Saúde

Estudo de hospital do RS aponta possibilidade de detectar Alzheimer com três anos de antecedência

Reprodução / G1

Um estudo do Grupo de Pesquisas em Neurogeriatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre descobriu um exame que pode mostrar a probabilidade de um idoso desenvolver a doença de Alzheimer dentro de até três anos. Isso pode garantir qualidade de vida e mais tempo sem a doença, que atinge 8% da população brasileira com mais de 65 anos.

O Alzheimer é uma doença degenerativa em que proteínas que existem normalmente no corpo humano se acumulam e se tornam tóxicas para os neurônios, as células do cérebro. "Ela se inicia com esses comprometimentos de memória episódica e conforme o tempo vai passando, os sintomas vão se agravando", explica a pesquisadora do Hospital de Clínicas, Liana Rizzi.

O estudo do Hospital de Clínicas demonstrou que uma alteração na presença de uma dessas proteínas – a beta-amilóide 42 – pode ser detectada três anos antes do paciente demonstrar perda grave de memória, na chamada fase demencial do Alzheimer. É nessa etapa que o paciente começa a não conseguir gerenciar mais a própria vida.

Os pesquisadores acompanharam um grupo de idosos que apresentavam boa saúde, mas tinham esquecimentos leves. Parte do grupo teve a proteína alterada. Desses, apenas uma paciente não desenvolveu a doença. E entre os idosos que não tinham alteração na proteína, a proporção foi inversa: apenas um teve Alzheimer.

A conclusão do estudo mostra que a alteração da proteína em pessoas aparentemente saudáveis revela um risco 17 vezes maior para o Alzheimer, e possibilita o diagnóstico precoce. Dessa forma, pacientes e familiares podem planejar os próximos anos de vida.

Novas perspectivas de tratamento

Os pesquisadores esperam que a descoberta estimule a criação de medicamentos que possam agir impedindo o avanço da doença. Mas mesmo antes que isso aconteça, a experiência clínica mostra que alguns pacientes são capazes de obter um efeito semelhante mudando o estilo de vida.

De acordo com o líder do estudo, médico neurologista Matheus Roriz, a prática de atividades físicas aliada a uma alimentação saudável pode reduzir o risco da doença, assim como o controle da diabetes e da hipertensão.

"Esses fatores podem reduzir em cerca de 50% a incidência anual da fase demencial da doença de Alzheimer que significa, em média, postergar em cinco anos o início da doença segundo um outro estudo", relata.

"Quem é portador da doença perde a identidade", diz a fiscal escrevente Linda Rita Jahns, que tem uma irmã, Ilda, de 58 anos, com Alzheimer. Ela teve os primeiros sinais da doença aos 50 anos.

"Ela não compreende, não formula mais frases. A gente nunca imagina que vai acontecer, mas se tivesse a oportunidade de saber, seria muito bom", resume Linda.

G1

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